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5 miradas: a cor na arquitetura sustentável

// MARCELO NO MÉXICO: O INÍCIO DAS OFICINAS


Hotel Camino Real, de Legorreta

5 miradas, encontro internacional de cor na arquitetura sustentável, é uma proposta da maior empresa de tintas do México, que convidou 5 profissionais de vários cantos do mundo para dar sua mirada de como a cor tem influência no futuro da arquitetura sustentável.

Foram selecionados 30 alunos do último ano do curso de arquitetura de várias universidades do México  e e da América Central, e cada profissional convidado fica com 6 alunos e desenvolve um projeto para ser apresentado no final do seminário.

O encontro foi realizado no hotel Camino Real, um hotel dos anos 60 projetado por Legorreta, arquiteto celebrado no mundo todo, seguidor de Luis Barragan. Camino Real foi seu primeiro grande projeto. Sua proporção é colossal, fazendo referência às construções coloniais espanhola criando vários pátios por todas as partes. O uso das cores não poderia ser mais inspirador: muito amarelo puro e rosa, tão usado por Barragan, também presente em muitos elementos populares latinos.

// A NOSSA TURMINHA


Natália
Natália é de Monterrey, cidade que fica no nordeste, a segunda maior do México. Está no quarto ano da faculdade de arquitetura e já participou duas vezes do campeonato mundial de patinação de velocidade.

Santiago
Santiago é de Guadalajara, que fica no sudoeste do México. De acordo com ele, sua cidade representa o México para o mundo. A tequila e os mariachis vêm de lá. Está no quarto ano da faculdade de arquitetura,a dora viajar para conhecer outras culturas e valorizar ainda mais a sua.

Amelia
Amélia é do estado de Chihuahua - é isso mesmo a cidade de onde vem o cachorro, aquele bem pequeno e chato, da cidade de Juarez, fronteira com os Estados Unidos, Texas. Ela conta que é uma cidade industrial, com grande diversidade cultural, paisagem desértica e dunas brancas que parecem neve. Ela quer fazer trabalhos sociais através de sua profissão.

Yanshing
Yanshing é de Mexico DF, a maior cidade da América lLatina. Está no último ano da faculdade de arquitetura. Apesar de achar a cidade muito caótica, tem bastante orgulho, e conta  que  é conhecida como a cidade dos palácios. Gsota de estudar línguas. Fala italiano, inglês e está aprendendo chinês como o avô e umas palavrinhas de português comigo.

José Oscar
José é da Guatemala capital. Em três horas pode estar no pacifico ou no Atlântico. Conta que sua cidade está num momento de grande transformação vertical e de reúso dos prédios históricos. Tem um centro cívico, com prédios de arquitetura funcional dos anos 50.
 A moeda é o quetzal, um tributo a um pássaro quetzal. Está no quarto ano da faculdade de arquiteura, não vive sem música, tênis e arquitetura. É da seleção nacional de tênis.

Samuel
Samuel é do Porto Veracruz, que fica no Golfo do México, no centro do país, passagem obrigatória pra todo mundo que entra e sai. Foi a primeira cidade do México, onde o conquistador Herman Cortez chegou chegando. Tem montanhas, desertos, praias e vales. Samuel está no quarto ano de arquietura, adora colecionar, desde pedras a lâminas de metal. Gosta do que brilha (deve ter adorado o manto do Maracatu!). Quer trabalhar copm bioconstrução e poder dar mais qualidade de vida para pessoas de baixa renda.

Essa é a minha turma incrível! Estamos super sintonizados.

// O CONTEÚDO

Estamos aqui pra falar de cor na arquitetura sustentável, que é o tema deste encontro. Hoje fica cada vez mais claro que não se pode dissociar sustentabilidade de educação. E aproximando mais esta idéia do nosso dia a dia de vida e de trabalho, o quanto o design de interiores, a decoração das nossas casas, tem o potencial de promover a inclusão – através da educação, que fundamenta a sustentabilidade. Já não existe a possibilidade de pensar na cidade, nos espaços das casas, sem pensar em revalorizar o que é essencial, o aconchego, as memórias, as raízes da cultura e da arte popular. E isso é educar o olhar para esta beleza, é incluir este artista e este sentimento de aconchego.
Proponho um exercício experimental para sentir/falar/pensar a cor, também através do corpo, do movimento. Gostaria de exaltar a riqueza da variedade de cores e do artesanato latino-americanos.

Busquei referências no Tropicalismo, movimento que sacudiu a música popular brasileira e a cultura brasileira entre 1967 e 1972. Foi inovador, transformador dos gostos e atitudes, abriu horizontes e não pretendeu estabelecer limites. Mexeu com a música, com a política, com a moral, com os comportamentos, com a estética, com o corpo, com o sexo, com a moda.

Outra inspiração é Lina Bo Bardi, a arquiteta italiana que nos deu o privilégio de tornar-se brasileira de coração. Interpretou como ninguém a vibração da nossa cultura popular e fez bom uso, como matéria-prima para a criação do seu moderno. Considerava o povo brasileiro “ainda não contaminado pela soberba e pelo dinheiro”. Exuberância, choque, revelação e recriação compõem nosso cenário.

Se pensarmos no corpo como a hospedagem de nossa alma soberana, então ele será nossa referência principal, de estrutura que sustenta e ocupa seu espaço devido. Nossa casa. E é pensando nessa casa, que a alma ganha espaço e encontra conforto.

Parangolé latino americano

// MANIFESTO

Este manifesto foi redigido pelo alunos depois dos primeiros exercícios:

Manifiesto, filosofía de diseño.

“Yo pensaba que la identidad se tenia, se conservaba, era propia, privativa, exclusiva, tal vez lo es, pero como es que la llegamos a cambiar? Identidad en realidad se consigue como añadidura en nuestra vida, ahora pienso que la identidad es la propia transformación, este proceso, implica incluir todas las culturas latinoamericanas que nos brindan características que no solo se limita a una forma antropométrica. Esta va mas allá, teniendo un aspecto impalpable, el misticismo, formas de vida, sensaciones percibidas por medio de colores e incluso olores generando una unidad olvidada, ha sido la identidad propia que surge innata en nuestras costumbres y tradiciones, por lo que debemos rescatar los factores mas emblemáticos de nuestra gente y países, potencializando el color y explorando contrastes, de modo irónico los inmensos contrastes es lo que nos hace ser iguales, Latinoamérica tiene esa vida, su fiesta, calor, color, que le falta a los demás y que los identifica los artistas tenemos que hacer que las personas valoren su origen identificándose con el y de esta manera acentuarlo y mostrarlo al mundo.

Porque la arquitectura es para las personas, la sustentabilidad se puede lograr uniendo personas dándole un valor a la cultura e historia, para que todo funcione como todo un organismo y se tenga una identidad, vamos a través de nuestro cuerpo, buscando identidad de una nación para valorizar nuestra autoestima.”

// E A COREOGRAFIA?

Todos bem concentrados

Story board da apresentação

Processo criativo

Para a apresentação, pensamos em uma coreografia a partir da trilha que o Jackson Araujo fez para a Casa Cor Peru. Tipo show mesmo! Clique aqui para ouvir.

// PANTONE TROPICALISTA COMEX 2008

Nossa mirada:

Pantone Tropicalista

// MARACATUS LUCHADORES ENTRAM EM CENA

Dentro da pesquisa sobre o corpo, espaço e arquitetura, um texto do diário de Oskar Schlemmer (1888-1943), artista da Escola Bauhaus, tem nos envolvido de inspiração. Vale reproduzir aqui:

“A receita pela qual se norteia o teatro da Bauhaus é muito simples:que a gente seja tão descomprometido quanto possivel; que a gente se aproxime das coisas como se o mundo tivesse acabado de ser criado; que a gente não reflita determinada coisa até a destruição e sim que a gente conserve, livre, permitindo seu desdobramento. Que a gente seja simples, mas não pobre (“a simplicidade é uma grande palavra”), que a gente prefira ser primitivo a ser vaidoso, complicado e inchado; que a gente não seja sentimental, mas que a gente em vez de sê-lo, tenha espírito. Com isto está dito tudo como não está dito nada! Mais que a gente parta do elementar. E o que quer dizer isto? Que a gente parta do plano, da linha, da superfície simples, e que a gente parta da simples composição de superficies: a partir do corpo. Que a gente das cores simples como são: branco, cinza, vermelho, azul, amarelo e preto. Que a gente parta do material. Descubra as diferenças de tecido dos materiais como vidro, metal, madeira, e assim por diante, assimilando-o interiormente. Que a gente parta do espaco, da sua lei e do seu segredo, deixando-se “enfeitiçar” por ele. Com isto, novamente, está dito muito e não é dito nada, até o momento que estes conceitos tenham sido sentidos e preenchidos. Que a gente parta da situação do corpo do ser,, do estar em pé, do caminhar e somente no fim do saltar e do dançar. Porque o dar um passo representa um importante acontecimento:e nada menos do que isto  levantar uma mão, mexer um dedo. Que a gente tenha tanto respeito quanto consideracão diante de cada ação do corpo humano, de vez que no palco se manifesta este mundo especial da vida, do aparecer, esta segunda realidade na qual tudo esta circundado pelo brilho do mágico.”

(Oskar Schlemmer, diário maio de 1929)

// WORK IN PROGRESS


// CASA DO BARRAGÁN


Ontem fomos visitar a casa que don Luis Barragán projetou para ele mesmo- sempre dá essa curiosidade de conhecer… A casa fica num bairro bem popular da cidade, e assim foi escolhido intencionalmente. Barragán era devoto ardoroso de São Francisco de Assis. A casa tem uma estrutura de um monastério, onde dá pra perceber que cada entrada de luz, cada cor, foi minuciosamente estudada por ele. É bastante impressionante, cada ambiente que se entra é uma experiência diferente de formas, cores e luz. Já a fachada é horrivel (!), isso para não ostentar e valorizar o interior da casa. Assim Barragán pensava a sua vida… Todos os móveis foram desenhados por ele, absolutamente simples, iguais e repetidos em todos os ambientes. Pátios, aberturas e cores: tudo muito pensado e estudado como uma escultura de formas e proporções exatas. Infelizmente não se pode fotografar. Mas a imagem e a energia da casa não me sai da cabeça.

// MAIS IMAGENS DA CASA DE BARRAGÁN

Já que o Marcelo não conseguiu fotografar, para matar a vontade de mostrar mais sobre a casa de Barragán, estas imagens são do livro Barragán The Complete Works.

// OS INCLASSIFICÁVEIS

A turminha do Marcelo no 5 Miradas ensaia para a apresentação final.

Eles entraram na dança. Uma canjinha pra vocês. Somos o que somos…. inclassificáveis!

Somos o que somos!


Batmacumba


Tambores prontos

// APOTEOSE EXPLOSIVA DE CORES

Os vídeos do gran finale das 5 Miradas. Mira, mira, mira!

E mais!