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COLEÇÃO JALAPA

// O QUE É A “VIVÊNCIA – CAPIM DOURADO” E A COLEÇÃO JALAPA

A Coleção Jalapa nasce de uma iniciativa do SEBRAE-TO, que entre suas estratégias, propôs-se fomentar o segmento artesanal, valorizando a cultura tocantinense através do resgate do Capim Dourado.

As principais preocupações dessa parceria incluem o aperfeiçoamento da qualidade da produção artesanal, a permanência da tradição e a melhoria das condições sociais dos artesãos, promovendo a inserção competitiva do artesanato na região do Jalapão nos mercados nacionais e internacionais, proporcionando o desenvolvimento sustentável da atividade artesanal através do fortalecimento dos pequenos negócios.

Com a realização da Vivência – Capim Dourado, pretende-se desenvolver produtos com valor agregado, valorizando o artesão e a região turística do Jalapão, tornando o artesão co-responsável pela valorização dessa riqueza natural, bem como estratégia de geração de emprego e renda.

// O CONVITE PARA PARTICIPARMOS DA “VIVÊNCIA – CAPIM DOURADO”

“O trabalho é bacana. Não é fácil, mas é uma cachaça daquelas!”. Esse foi o convite (já irrecusável!) da queridíssima Heloísa Crocco, coordenadora do Projeto Piracema, amiga, artista plástica e designer gaúcha cujo trabalho é movido pelas riquezas do artesanato brasileiro, por suas viagens pela Amazônia, pelo Piauí ou por uma pequena aldeia de cultura nativa da América do Sul.

Heloisa é responsável pelo Laboratório Piracema Design, um núcleo de pesquisa da forma brasileira, idealizador do Projeto Piracema: Vivências que ajuda na formação de profissionais para atuação em programas de aproximação entre design e artesanato. O projeto, que já passou por diversas regiões do Brasil, objetivou valorizar a cultura tocantinense com o resgate do uso do Capim Dourado, que brota nas veredas do Jalapão, como matéria-prima para artesanato.

O Piracema, que é uma parceria com o SEBRAE, trabalha a aproximação entre o design e o artesanato, com programas que incluem aulas teóricas, práticas, experimentações criativas, visitas, estudos de diagnóstico e as vivências, que são essas imersões em comunidade de artesãos.

Pra quem não conhece, o Capim Dourado é aquela palha bem característica do Jalapão (divisa entre os estados do Tocantins e da Bahia) – uma região de solo bem arenoso, onde a palha ocorre nas veredas, que são os vales mais úmidos.


A planta do Capim Dourado.

// O WORKSHOP

O convite da Heloísa para participarmos do Projeto Piracema – junto aos artesãos que já trabalham com capim dourado – foi instantaneamente aceito. O Marcelo fez as malas e embarcou para o Jalapão. O workshop, que aconteceu entre os dias 8 a 18 de julho de 2009,  teve como o propósito de criar protótipos de produtos novos para os artesãos, orientando para que eles possam dar continuidade a essa produção e gere mais trabalho e renda para o artesanato local.

Equipe criando cestos, jogos americanos, móbiles, colares e braceletes, argolas para guardanapo e muitos outros acessórios.

// O JALAPÃO E A “ARANHA NET”
O Jalapão tem 9.000 habitantes. Além disso, tem o brilho do capim dourado, tem a Ponte Alta de onde é bom de saltar, tem a prainha, tem o céu do Tocantins, tem o talento das artesãs em todo canto. Não pega celular, mas (salve!) tem a “Aranha Net” aberta 24 horas – a lan house de onde o Marcelo nos mandava notícias e fotos.

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// AS MÃOS DE OURO

Essas são as artesãs ou as costureiras – como elas mesmas costumam dizer que deixaram de costurar roupas para costurar capim, que estão trabalhando no grupo com o Marcelo no Jalapão. Segundo elas contam, o artesanato com o capim dourado começou com os índios que faziam chapéus pra se proteger do sol da região, tradicionalmente costurados com a fibra do buriti, a chamada seda de buriti.

O trabalho é realmente lindo e requer muita habilidade e paciência. E mesmo com as dificuldades, as meninas  mantêm a determinação, a delicadeza  e a destreza das mãos pra lidar com a beleza do capim dourado.

Adelina, Wnelbar (é assim mesmo), Neide, Raimunda, Amélia, Abília, Irene, Ileany, Vera… e tantas outras deram um brilho especial ao projeto.

// WORK IN PROGRESS

E o trabalho começa. Algumas peças já começam a aparecer…

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// A EXPERIÊNCIA: UM RELATO DE MARCELO ROSENBAUM

Sem dúvida o maior exercício dessa vivência foi trabalhar em equipe, no coletivo. Chegamos e desde o primeiro dia, todas as artesãs estavam esperando um curso. “É sempre assim. As artesãs acham que iremos chegar e dar aulas. Não que isso de alguma forma não aconteça, mas precisamos começar nos familiarizando com o feitio do trabalho com o Capim”, contou-me Heloísa. Por aí dá para imaginar um pequeno conflito: de um lado, a ansiedade das artesãs de aprender; do outro, a nossa expectativa de entender e conseguir implementar novas técnicas e novas estéticas a partir dos saberes e das tradições delas.

Esse, com certeza, foi e é o momento de maior dificuldade de toda a vivência. Dá vontade de nem desfazer as malas e voltar! Uma das artesãs, nesse primeiro dia, me sugeriu de desistir de dar aula e reformar a sua casa dela – que isso com certeza eu sabia fazer BEM!!! Passado o susto, as coisas foram se azeitando e tudo começou a andar bem. A confiança mútua  foi crescendo. E entendendemos a verdade que existe quando elas mesmas afirmam que “deixamos de costurar roupas para costurar capim”.  Esse era o caminho: capim se costura e ponto. E a partir daí  abriu-se espaço para a nossa intervenção no trabalho delas, de  trazer uma nova linha, com uma outra cor (o preto), pra costurar o capim.

“Tu me ensina a fazer renda que eu te ensino a namorar”.

As oficinas aconteciam das 8 as 11h, quando as  artesãs paravam pra preparar  o almoço e voltavam pra continuar das 14 às17h. Depois, saíamos para andar pela cidade, conhecer melhor a área, discutir junto com toda a equipe sobre as impressões, dificuldades e novas idéias. Sempre um momento sempre muito rico, divertido, do coletivo e, claro, sempre regado a muita cerveja, pois o calor do Tocantins não é coisa pra amador. Pense num lugar muito quente… pois lá é um pouco mais!

Mas o melhor de tudo isso, é que esse tipo de vivência pode e deve acontecer em qualquer esquina do nosso Brasil. Não tem lugar definido, não coloca limite. Basta ter gente e disposta a por a mão na massa, por tradição ou por necessidade de sobrevivência, com suas riquezas naturais – de sementes , fibras, palhas , linhas, algodão e sei lá mais o que dê em abundância nas nossas terras.

Sobre o método:

Levei referências de tendência das maxi bijoux, tipo que se usa hoje e que aparecem em todas as revistas de moda, até nas novelas.

Fizemos o exercício de observar o cotidiano delas, as belezas da região e buscamos incorporar essas formas nos objetos, valorizar o brilho do capim dourado, como matéria mais nobre e usar outros materiais que contrastassem, mas que não roubassem a cena.

Optei em trabalhar mais com bijoux, pois necessita de menos matéria de capim e essas peças podem ser mais valorizadas, já que a aceitação é imediata.


Colar Raimunda, com uso do fio preto.

Fizemos uma mesa onde o pé é o mesmo das lixeiras existentes na cidade, mostrando o quanto o entorno pode nos inspirar a criar objetos.


Mesa Amélia, com pé de lixeira.


Equipe especial do Projeto Jalapa

Só sei que gostaria de dedicar cada vez mais do meu tempo para trazer esse artesanato em potencial, essa riqueza natural para o benefício de todos. Todos nós temos muito o que aprender!

É isso, espero que essa vivência tenha sido tão transformadora para as artesãs e para a equipe Jalapa, como foi pra mim. – Marcelo

// O ENSAIO FOTOGRÁFICO

Durante o workshop, também produzimos um ensaio fotográfico. Vejam os produtos finais sob as lentes do fotógrafo do projeto, Fábio Del Ré.


// O CATÁLOGO

Esse é o catálogo da Coleção Jalapa, fruto da vivência feita com as artesãs do capim dourado do Jalapão (Tocantins), em julho de 2009,  que o Marcelo participou a convite da artista e designer Heloísa Crocco. Um projeto de design social de relevância e grande beleza, apresentado nesse catálogo e em cada peça da Coleção Jalapa.

O Parque Estadual do Jalapão com suas maravilhas naturais é uma das maiores atrações turísticas do estado. Seu nome se origina de uma planta muito conhecida na região: a erva Jalapa-do-Brasil.

O Jalapão é uma região árida pontilhada de oásis que encanta visitantes de todo mundo.

Aqui, o cerrado, o pantanal e a floresta Amazônica se encontram num espetáculo raro, que pode ser apreciado em poucos lugares do mundo.

A região do Jalapão é cortada por uma imensa teia de rios, riachos e ribeirões, todos de águas límpidas e transparentes.

A vegetação do cerrado ralo combina com areia, dunas, serras, vales, veredas e cachoeiras de águas azuis…

É aqui que o cerrado revela o seu lado surpreendente e o fascínio do lugar não deixa dúvidas: o ecossistema Jalapão é um extraordinário patrimônio natural e este trabalho contribui para desenvolvê-lo de modo sustentável.

A diversidade da vegetação é enorme e a fauna abriga espécies raras e ameaçadas de extinção. Visitar o parque é entrar em contato com uma natureza intocada.

Coordenação Geral: Heloisa Crocco/ Design de Produto: Fernando Maculan, Heloisa Crocco, Marcelo Rosenbaum, Thaís Márquez/ Vídeo: Thomas Sellins/ Consultoria em Design: Ada Gabriela, Hemly Barsch, Juliane Gosch/ Identidade Visual e Projeto Editorial-Gráfico: Marcelo Drummond/ Fotografia: Fábio Del Re/ Texto: Aline Brabo, Alessandra Bacelar (SEBRAE Tocantins)

// EQUIPE COLEÇÃO JALAPA

Coordenadora: Heloísa Crocco

Design Gráfico: Marcelo Drummond

Fotógrafo: Fábio Del Ré

Vídeo Documentarista: Tomas

Designers: Heloísa Crocco, Fernando Maculan e Marcelo Rosenbaum.